A Classe Trabalhadora se une contra a Privatização do SUS em Campo Grande - MS
Rita Barbosa, militante do PCB em Mato Grosso do Sul
Convocados pelo Conselho Municipal de Saúde, trabalhadores e usuários do SUS lotaram a Câmara Municipal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, na manhã desta sexta-feira (10) para manifestação contra a proposta de introdução das Organizações Sociais de Saúde (OSSs) no município. Durante audiência pública convocada para debater a privatização da saúde, sindicatos, movimentos sociais e outras organizações da classe trabalhadora se fizeram presentes, deixando uma mensagem clara: o SUS é do povo, e não vamos negociar.
Com a população dando as costas e sob vaias e gritos de protesto, o secretário de saúde, Marcelo Vilela, e o vereador Rafael Tavares (PL) tentaram defender o projeto de terceirização de duas unidades da Rede de Urgência e Emergência. O secretário tem sido alvo de críticas não só pela defesa da proposta, mas principalmente por sua postura antidemocrática evidenciada por recorrentes falas de desprezo pelas estruturas de controle social - em especial, pelo Conselho Municipal de Saúde.
O município de Campo Grande enfrenta há pelo menos dois anos uma crise sem precedentes na saúde pública. Desvios milionários do Fundo Municipal de Saúde, incineração criminosa de prontuários e desabastecimento hídrico de unidades de saúde são apenas alguns dos inúmeros escândalos da gestão da prefeita Adriane Lopes (PP). Seguindo a agenda neoliberal, Adriane induziu progressivamente a crise sanitária, destacando em dezembro de 2025 Marcelo Vilela para assumir a Secretaria de Saúde a fim de implementar a próxima etapa de seu plano: a privatização.
Desgastados pela progressiva escassez de insumos e pela precarização trabalhista, trabalhadores e usuários têm se articulado desde o final de 2025 em uma frente popular em defesa do SUS. Essa movimentação teve como estopim um decreto da prefeitura determinando a redução do pagamento adicional nos plantões de fim de ano, como parte do pacote de medidas de “contenção de gastos”, escancarando a política de austeridade fiscal na saúde,um dos alicerces do neoliberalismo.
Seguindo o projeto neoliberal, há duas semanas foi apresentada oficialmente a proposta de privatização em reunião ordinária do Conselho Municipal. Inicialmente inserida pelo secretário de saúde como “informe”, a pauta foi submetida a votação com maioria contrária - de todos os conselheiros, apenas os três representantes da gestão foram favoráveis. Diante disso, essa frente popular voltou a se reunir, com presença massiva em sessão da Câmara e novamente na audiência desta sexta.
O avanço das OSSs evidencia um conflito de interesses de classe: de um lado, a visão burguesa de saúde enquanto mercadoria; do outro, a perspectiva da classe trabalhadora que vive e entende a saúde enquanto um direito. As experiências das OSS em outros estados deixam cicatrizes graves no SUS: aumento nos acidentes de trabalho, pejotização e flexibilização das relações trabalhistas e a perda de transparência na gestão de recursos públicos - essa, por sua vez, resultando em desvios bilionários de verbas destinadas à saúde pública.
Nesta audiência pública, ficam claros os limites críticos entre o povo trabalhador e as elites neoliberais bolsonaristas. Quando os gritos de protesto retumbaram no plenário da Câmara, a burguesia sulmatogrossense recebeu o recado e entendeu: a população trabalhadora, mesmo maltratada, explorada e menosprezada, segue sendo maioria. Na sociedade capitalista, enquanto houver povo, haverá luta, e enquanto houver luta, o SUS há de resistir.
NÃO À PRIVATIZAÇÃO!
NÃO ÀS OSS!
EM DEFESA DO SUS E DO PODER POPULAR!
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