
Emanuella Soares - militante do PCB e CFCAM
Letícia Colares - militante do CFCAM
No dia 23 de junho, foi realizada em Fortaleza - Ceará uma reunião no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que pautou o compromisso pelo combate a violência política nas eleições. O partido comunista brasileiro (PCB) esteve presente através da camarada Manu, que é militante do PCB e esta Secretaria Política do Coletivo Feminsta Classista Ana Montenegro no Ceará (CFCAM-CE). A violência política pode ser compreendida como a agressão física, psicológica, econômica, simbólica ou sexual contra a mulher, com a finalidade de impedir ou restringir o acesso e exercício de funções públicas e/ou induzi-la a tomar decisões contrárias à sua vontade.
Essa prática se expressa de várias formas, como a fraude de candidaturas femininas, o não apoio a candidaturas de mulheres pelos partidos, a destinação de verba consideravelmente menor para as candidaturas de mulheres, bem como o não reconhecimento de suas falas e o constante questionamento de seus posicionamentos políticos, em uma postura de deslegitimação de suas capacidades.
A violência política eleitoral é reflexo da sociedade capitalista e patriarcal que vivemos. Atualmente nos encontramos em uma crise sistêmica capitalista que não está encontrando saída. Tal crise vem diminuindo os lucros dos grandes burgueses que, para manter suas riquezas, vem aumentando a exploração da classe trabalhadora, seja com o aumento da jornada de trabalho ou sua intensificação e com as retiradas de direito da classe trabalhadora em geral, em especial a opressão das mulheres dessa classe.
No Estado Brasileiro vemos isso com a aprovação e implementação da reforma trabalhista, da reforma da previdência, com o Teto de Gasto que passa a ser chamado de Novo Arcabouço Fiscal e agora com a tentativa de aprovação da PL 1904/24 que prevê a restrição do aborto já permitido em lei, ou seja, casos onde a saúde da mulher está em risco, casos de violência sexual e casos de acefalia do feto.
Todas essas medidas, direta ou indiretamente, afetam uma das parcelas mais vulnerável da classe trabalhadora, que são as mulheres, em sua maioria pretas e periféricas. A elas são passadas tarefas que são de fato responsabilidade do Estado. Retirada a presença do Estado recai sobre elas a atribuição de cuidar dos doentes, dos idosos, da educação dos filhos, além das responsabilidades das atividades domésticas e profissionais, dentre outras funções sociais. A retirada de direitos da classe trabalhadora afeta em grande medida as mulheres, em especial por serem elas a ocuparem maioria dos trabalhos parciais, temporários e terceirizados.
Em síntese, os moldes do sistema capitalistas e seus agravos afetam a participação das mulheres na política ao sobrecarregar essas mulheres com responsabilidades diversas, dificultando sua participação em atividades políticas, seja em sindicatos, associação de moradores, partidos políticos ou movimentos sociais, e cria um espaço de exclusão e não pertencimento.
Quando elas chegam a esses espaços muitas vezes são violentadas também de várias formas: como a ridicularização das suas falas, a elas são colocados os trabalhos domésticos como limpeza ou cozinha nos espaços políticos, também são colocadas em atividades de execução das propostas políticas, assim sendo negado o espaço de pensar as políticas. Como estão em trabalho precarizado, muitas têm dificuldades financeiras para se locomover e estar nos espaços políticos. Nesses espaços muitas vezes elas têm suas falas cortadas, interrompidas e não consideradas, assim, muitas mulheres entram no partidos, sindicatos e movimentos sociais, mas acabam não permanecendo nesses espaços.
Desta forma, quando elas conseguem ficar no partido político e serem candidatas sofrem com o machismo e o patriarcado quando recebem menos verbas que os homens para as suas candidaturas, muitas vezes tidas como enfeites para as cotas femininas de candidaturas. Nesses espaços as mulheres são colocadas no lugar de tutela dos homens como crianças que não sabem como falar ou fazer política.
Desta forma é muito importante a assinatura do Partido Comunista no Ceará como uma forma de compromisso do partido a combater a violência política eleitoral e combater a violência política em suas fileiras. Não tolerando qualquer tipo de violência política contra as mulheres ou qualquer tipo de violência contra elas.
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