O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela em 3 de janeiro de 2026
Lucas Andreto - Membro do Comitê Regional - SP e da célula Zona Leste do PCB
marcado pelo sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, além da morte de dezenas de integrantes de sua guarda e de civis — provocou uma reação imediata. Diversos setores democráticos se viram obrigados a se posicionar contra a agressão imperialista conduzida por Donald Trump, o que representa um avanço importante no cenário atual.
Vivemos um momento em que a América Latina enfrenta um processo acelerado de fascistização, que atinge não apenas a burguesia e as classes médias, mas também parcelas significativas da classe trabalhadora desorganizada. Nesse contexto, torna-se vital construir uma frente, mesmo que informal, entre democratas e revolucionários, capaz de se contrapor à barbárie imperialista. É preciso ampliar a consciência popular contra a guerra e contra o fascismo, pois somente a mobilização coletiva poderá evitar que a humanidade mergulhe em um futuro ainda mais sombrio.
Essa tarefa exige disputar o espaço público e enfrentar a narrativa dominante. A mídia tradicional latino-americana, em aliança com os interesses estadunidenses, há décadas difunde uma visão distorcida da Revolução Bolivariana. O resultado é que, mesmo quando setores democráticos condenam a invasão, acabam reproduzindo ataques ao governo chavista e, em especial, à figura de Maduro. Essa postura é contraditória: a ofensiva dos EUA não se explica senão pelo objetivo de destruir a revolução que nacionalizou o petróleo e colocou o povo organizado no centro da vida política. Sem esse processo, a Venezuela estaria submetida a uma dominação neocolonial “legalizada”, como ocorre em outros países da região.
A propaganda imperialista insiste em retratar o chavismo como uma ditadura ilegítima. Essa visão é compartilhada pelos governos europeus que, ao mesmo tempo em que criticaram formalmente a agressão militar, apoiaram a ideia de uma “transição democrática” que nada mais é do que a substituição de um governo popular por um regime submisso ao capital internacional.
O interesse norte-americano é evidente: controlar o petróleo e outros recursos estratégicos, além de impedir que a Venezuela aprofunde sua articulação com a China, a Rússia e os BRICS. O próprio Trump declarou isso abertamente em diversas ocasiões.
Ao ecoar a narrativa de que Maduro é um ditador, setores democráticos acabam fragilizando a solidariedade internacional com a Revolução Bolivariana. Essa contradição mina a possibilidade de compreender o processo venezuelano em sua complexidade, com avanços e limites. Na prática, muitos aceitam o programa imperialista de saque e neoliberalismo, apenas rejeitando a forma militar direta. Se a mesma política fosse aplicada por meios “institucionais” e “democráticos”, seria considerada legítima, ainda que implicasse fome, miséria e perda de soberania.
A Revolução Bolivariana, no entanto, é uma revolução nacional libertadora, conduzido pela aliança entre trabalhadores e camponeses, que rompeu com séculos de dominação colonial e neocolonial. O governo chavista é expressão política dessa revolução e carrega suas contradições, que só poderão ser superadas com o aprofundamento da luta de classes e da consciência popular. Não será por meio da deslegitimação das eleições ou da imposição de pleitos extraordinários que se avançará, mas pela própria dinâmica da revolução.
A crise econômica que muitos apontam como prova da “tirania” de Maduro é, em grande medida, resultado das sanções impostas pelos EUA e seus aliados. Relatórios da ONU e estudos de instituições como o CEPR demonstram que as medidas financeiras de 2017 e as restrições petrolíferas de 2019 agravaram drasticamente a situação, impedindo importações de alimentos e medicamentos e causando dezenas de milhares de mortes. A União Europeia, Canadá e outros países reforçaram esse bloqueio, ainda que em menor escala.
Assim, a crise humanitária e migratória da última década não pode ser atribuída à Revolução Bolivariana, mas sim ao cerco imperialista. É responsabilidade direta dos governos Trump e Biden, que devem ser vistos como os verdadeiros “ditadores” e opressores do povo venezuelano.
Neste cenário, cabe reafirmar: quem se coloca de fato ao lado da democracia deve expressar solidariedade à Revolução Bolivariana, ao povo da pátria de Simón Bolívar e ao governo chavista. Nicolás Maduro, sequestrado e submetido a um julgamento arbitrário, merece o apoio dos povos do mundo. Sua libertação, se conquistada, será uma dura derrota para o imperialismo estadunidense.
Pela autodeterminação do povo venezuelano!
Em defesa da soberania nacional e popular da Venezuela!
Liberdade imediata para Nicolás Maduro e Cilia Flores!
Fora o imperialismo da América Latina!
Organizar e fortalecer a resistência anti-imperialista!
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