Proposta para combater o Narcotráfico - Colômbia

Proposta para combater o Narcotráfico - Colômbia

Por: O Poder Popular · Fonte: https://www.colombiainforma.info/

Exército de Libertação Nacional, 8 de abril de 2026

1. Introdução.

O narcotráfico tornou-se a ferramenta preferida dos governos colombiano e norte-americano para tentar desvirtuar o caráter político do ELN e as verdadeiras razões de sua luta. Com base nesses objetivos, foi desencadeada uma guerra midiática que encobre a estratégia de uma guerra contra-insurgente para favorecer o projeto de dominação imperialista.

Ao acusar falsamente os camponeses agricultores e o ELN como responsáveis pelo fenômeno, os Estados Unidos e os governos colombianos fazem uma caracterização equivocada que impede a construção de uma proposta realmente alternativa para superar o narcotráfico.

2. Caracterização.

O narcotráfico é uma das principais atividades econômicas que garantem uma reprodução ampliada do capital, com taxas de rentabilidade altíssimas e totalmente controlado pelos Estados Unidos e suas três principais agências transnacionais: DEA, CIA e FBI. Além disso, os EUA autoproclamaram-se juízes supremos para emitir julgamentos morais sobre o tráfico de drogas, o que lhes permite condenar, certificar ou absolver pessoas ou países de acordo com seus interesses econômicos, políticos ou militares.

Já não é apenas a Colômbia o único país onde o tráfico de drogas permeou as esferas social, econômica, política e militar; portanto, as próprias estruturas do poder do Estado. Os exemplos recentes são o México e o Equador.

Na Colômbia, o tráfico de drogas, por decisão política do Estado, tornou-se a principal atividade econômica, pois, ao ser o maior exportador mundial de cocaína, fundiu os principais grupos empresariais nacionais com o capital transnacional e financia os paramilitares para levar adiante a Guerra Antissubversiva e o Terrorismo de Estado, mantendo o Genocídio nas últimas quatro décadas, produzindo uma simbiose de interesses oligárquicos, onde o tráfico de drogas foi legalizado em todas as instituições estatais, gerando uma narco-república.

Foi reconhecido pelo governo colombiano que, no país, a droga é cultivada, processada, negociada e transportada há décadas, sem que nenhum governo tenha conseguido conter tal fenômeno, muito menos superá-lo. Sendo a Colômbia o maior produtor mundial de cocaína, seu Estado e seu governo se beneficiam e lucram com esse negócio.

As pulverizações com glifosato e as erradicações forçadas de culturas de uso ilícito apenas produziram desastres ambientais e sociais, que acumulam fracassos há décadas.

O uso equivocado de políticas exclusivamente policiais e repressivas tem sido, além disso, unilateralmente permissivo, ao não combater os cartéis de distribuição nos países industrializados consumidores, assim como não se faz com os cartéis de precursores químicos e os lavadores de dinheiro do narcotráfico no sistema financeiro internacional e nos paraísos fiscais.

3. Política do ELN.

O ELN não tem qualquer relação com cartéis de tráfico de drogas, nem com qualquer fase da cadeia do tráfico: não temos plantações, laboratórios, cozinhas, pistas, rotas; não comercializamos cocaína no país nem no exterior; tampouco temos nada a ver com negócios de precursores químicos.

Esta é a política definida democraticamente em todos os Congressos Nacionais do ELN ao longo de sua história. É proibido se associar ou realizar esse tipo de atividade, e todas as estruturas cumprem disciplinadamente essa decisão. Portanto, não há nada que nos comprometa, porque nada do que nos é atribuído fazemos nem faremos.

A única coisa autorizada é a cobrança de um imposto aos compradores, porque são eles que lucram com o negócio em uma atividade comercial realizada em territórios onde nossas guerrilhas exercem controle; da mesma forma que cobramos impostos sobre as diversas atividades econômicas, assim como fazem os Estados para se financiar.

4. Proposta para a superação definitiva.

Sendo o tráfico de drogas um dos problemas estruturais do mundo moderno e uma das causas da longa crise que a Colômbia atravessa, para sua superação definitiva, ele deve ser abordado como um dos temas essenciais a serem debatidos no âmbito da construção de um Acordo Nacional com a participação ativa da sociedade.

Para construir uma solução coerente, devemos partir do reconhecimento de que é necessário um pacto de responsabilidade compartilhada entre países produtores e consumidores de narcóticos.

É importante destacar que, no esforço para construir uma saída definitiva para o tráfico de drogas na Colômbia, há alguns anos, o ELN vem mantendo comunicações com a Comissão Global de Políticas de Drogas (CGPD), órgão do qual participam ex-presidentes e ex-primeiros-ministros de reconhecido prestígio internacional. Encontrando com essa Comissão (CGPD) identidades substanciais na formulação de uma proposta para superar esse fenômeno, entre as mais destacadas podemos apontar:

1) Começar com a transformação do regime mundial de proibição de drogas,

2) Substituir as políticas e estratégias de drogas orientadas pela ideologia e pela conveniência política,

3) Acabar com a criminalização,

4) Respeitar os direitos humanos de quem usa drogas, oferecendo-lhes serviços de saúde e tratamento,

5) Conceder essas mesmas garantias às pessoas envolvidas nos segmentos inferiores dos mercados ilegais de drogas, como camponeses e pequenos vendedores.

Como podemos ver, existem outras políticas com amplo apoio internacional que se afastam do tratamento equivocado que os Estados Unidos têm dado a esse fenômeno e que, por isso, fracassaram.

Além disso, devemos reconhecer a existência de experiências em outros países onde se adotou a legalização dessas substâncias, assumindo o Estado a responsabilidade de regulamentar e controlar.

Com base nas considerações anteriores, o ELN propõe que, na elaboração do Acordo Nacional, onde se aborda a questão da superação definitiva do tráfico de drogas, se leve em conta:

1) A legalização das substâncias psicoativas, na medida em que acabará com os lucros extraordinários do tráfico de drogas e sua razão de ser.

2) Os dependentes de drogas devem ser tratados como doentes pelo Estado e não perseguidos como criminosos.

3) Aos camponeses que trabalham em cultivos de uso ilícito devem ser garantidos planos alternativos de produção de alimentos ou de matérias-primas industriais, financiados pelos Estados, para que possam assegurar sua subsistência sem recorrer aos cultivos de uso ilícito.

4) A substituição de culturas ilícitas deve ser acordada com as comunidades; a erradicação deve ser realizada manualmente e devem ser implementados planos de substituição de culturas com produtos próprios de cada região, contemplando assistência social à população em termos de viabilização de vias, saúde, educação e eletrificação.

5) Educação e acompanhamento na infância e na juventude, e não a repressão como política preventiva contra o vício em drogas.

Colômbia… para os trabalhadores!

Nem um passo atrás… libertação ou morte!

Direção Nacional

Exército de Libertação Nacional

Montanhas da Colômbia

Abril de 2026

Tradução: Rede Marxista

Fonte: https://telegra.ph/PROPUESTA-PARA-LA-SUPERACI%C3%93N-DEL-NARCOTR%C3%81FICO-04-08

Telegram “Claudia Isabel Martinez FGNO Comandante En Jefe Manuel Pérez Martínez ELN❤️🖤✊🏻”

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