Likud tenta cassar o registro eleitoral dos comunistas israelenses

Likud tenta cassar o registro eleitoral dos comunistas israelenses

Por: O Poder Popular · Ofer Cassif - dirigente do PC Israelense

Tradução do inglês ao português brasileiro de dois textos da International Communist Press realizada por Téo Luá Vianna, professor de espanhol, tradutor, militante do núcleo Uerj e membro da Comissão de Assuntos e Relações Internacionais da UJC (CARI). Traduções realizadas no dia 15 de setembro de 2026.

Créditos à Imprensa Comunista Internacional |International Communist Press


Forças da direita israelense tentam remover coligação antissionista das eleições

Esforços para excluir das eleições a coligação antissionista apoiada pelo Partido Comunista de Israel

14 de setembro de 2026

O Partido Likud anunciou que irá submeter uma solicitação hoje, segunda-feira, para o Comitê Central das Eleições para impugnar a candidatura da “chapa Conjunta” e a “chapa Unida”.

Segundo com o Al-Ittihad, em um breve comunicado, o Likud afirmou não querer representação no Knesset para aqueles que são descritos como apoiadores do terrorismo. Vale ressaltar que o governo do Likud é composto por partidos surgidos do movimento terrorista “Kach”, banido pela legislação israelense desde 1994.

A Lista Conjunta é uma aliança de três partidos: o Hadash (Frente Democrática pela Paz e Igualdade liderada pelo Partido Comunista de Israel), o Balade o Ta’al. A Lista Árabe Unida representa o Ra’am.

O Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, realizou uma solicitação similar. O presente artigo, escrito por Amir Makhoul, foi publicado noAl-Ittihad, o órgão do Partido Comunista de Israel.

“A solicitação para impugnar a lista unificada é perigosa e pavimenta o caminho para mais pedidos de exclusão”

O Ministro da Segurança Nacional, Ben-Gvir, solicitou ao presidente do Comitê Central das Eleições a impugnação da Lista Conjunta e o banimento de sua participação nas eleições. Esse pedido, que abrange 127 páginas de argumentos e anexos, demonstra um esforço sistemático para monitorar e rastrear a Lista, seus membros, sua ideologia e as instituições a ela vinculadas ao longo de um período prolongado. Também sugere a existência de uma estrutura de comando central, com uma divisão de tarefas entre os integrantes da coalização governista, visando a preparação de novas solicitações para desqualificar partidos árabes ou candidatos específicos.

Parece que outro objetivo é político, característico da escola de manobras políticas de Netanyahu, e enfocado em atingir a Lista Conjunta abertamente desde sua coletiva de imprensa com Trump, quando anunciou sua intenção de proibir a Irmandade Muçulmana, uma referência clara à Lista Conjunta. Netanyahu está seguindo esse curso de ação por medo de uma coalização alternativa formada pela atual oposição, incluindo a Lista Conjunta e, simultaneamente, para impedir a oposição de formar qualquer coalizão desse tipo, considerada por ele como ilegítima segundo a legislação israelense. Essa abordagem, portanto, atende ao plano de Netanyahu caso ele fracasse nas eleições, prevenindo um governo alternativo e permitindo que ele mantenha um governo de transição. Alternativamente, ele poderia garantir um governo de unidade nacional com um acordo de unidade nacional com um acordo de rotatividade com Eisenkot, excluindo a extrema direita, que antecipa esse cenário, particularmente no caso de Ben-Gvir. Isso pode explicar parcialmente a atitude morna de Netanyahu em relação ao partido de direita de Winger (Amacha Yisrael).

O debate no Comitê Central das Eleições, controlado pela coalização de Netanyahu e que constitui um órgão altamente politizado, será um teste crucial para a oposição. Embora a oposição possa temer apoiar a impugnação, alguns de seus integrantes não hesitarão em fazê-lo.

* As táticas que foram utilizadas no passado, baseadas na decisão quase certeira da Suprema Corte para anular a destituição, já não são eficazes, pois não há garantia de que a Suprema Corte, após as mudanças políticas na composição dos juízes e o cerco do governo a sua independência, e diante da dependência da recomendação do Serviço de Segurança Geral, cuja composição também foi alterada significativamente, poderá ou irá se apoiar na posição judicial do tribunal.

* Ainda assim, será muito difícil ignorar as medidas proativas tomadas pela Lista Árabe Unida, liderada pelo deputado Mansour Abbas, para mudar sua identidade e, mais recentemente, para incluir Yoav Segalovich como seu segundo candidato; isso pode até mesmo ir além do pedido de impugnação.

Se isso acontecer, não seria improvável que candidatos da Assembleia Democrática Nacional sejam impugnados em todas as eleições sob o pretexto de defenderem “um estado para todos os seus cidadãos”. A candidatura do deputado Ofer Cassif, da Frente Democrática pela Paz e Igualdade, também poderá ser alvo devido ao seu papel ativo na defesa da presença palestina e ao seu apoio ao processo perante a Corte Internacional de Justiça sobre as alegações de genocídio.

No entanto, o fato de que a Lista Conjunta, assim como Cassif, fazer parte da coalizão tornará mais difícil aprovar sua impugnação caso um pedido nesse sentido seja apresentado e aceito pelo Comitê Central das Eleições. O tribunal analisará o caso de cada candidato individualmente. Embora o Centro Adalah venha defendendo de maneira admirável os direitos dos candidatos na maioria dos casos de impugnação, o novo e mais sério desafio reside na natureza do tribunal e doShin Bet(Agência de Segurança de Israel), cujas recomendações serão adotadas neste caso.

O que fazer

Eu acredito que será crucial que tanto as listas conjuntas quanto as unificadas adotem medidas práticas, incluindo as seguintes:

* Primeiramente, estabelecer uma sala de emergência contra a impugnação, reunindo as listas conjuntas e unificadas, os esforços e campanhas relacionados e as forças políticas envolvidas, e sua missão seria enfrentar os pedidos de impugnação nos âmbitos judicial, popular, midiático e internacional, assim como monitorar a intensa incitação fascista e racista e formular uma posição sobre os partidos fascistas e racistas israelenses e sobre como lidar com eles perante o Comitê Central das Eleições.

Em segundo lugar, adotar uma campanha conjunta para as duas listas diante da política de impugnação, e é importante observar que campanhas nesse sentido já começaram na comunidade judaica.

Deve ser firmado o mais rapidamente possível um acordo de distribuição de votos excedentes, a fim de garantir a maior representação árabe possível, bem como uma aliança para combater a eliminação.

Terceiro, influenciar os partidos da oposição, seja diretamente ou por meio de uma campanha popular, para impedi-los de votar a favor da exclusão.

Quarto, adotar um canal aberto de comunicação com as embaixadas estrangeiras, exclusivamente europeias e americanas, para mantê-las informadas o tempo inteiro de todos os acontecimentos e obstáculos, assim como sobre existência de incitações racistas, e solicitar que monitorem as eleições.


Lista Conjunta e Cassif respondem a solicitações para banir Lista de concorrer às eleições

O Partido Comunista de Israel responde aos esforços para impugnação da Lista Conjunta das eleições

15 de setembro de 2026

O Partido Comunista de Israel e a Lista Conjunta responderam às solicitações dos partidos racistas de direita na coalização e a oposição sionista para impugnação da Lista Conjunta.

O Likud anunciou no domingo que irá submeter solicitações para impugnar a Lista Conjunta e a Oposição Conjunta de concorrer às eleições. O partido afirmou que “não há lugar no parlamento israelense para aqueles que feriram soldados do IDF”. “Eles são parceiros naturais de Gadi Eisenkot, com o qual ele quer formar um governo junto com Yair Golan e Lieberman. Isso não deve ser permitido de acontecer”, acrescentaram. O presidente do Otzma Yehudit, o ministro Itamar Ben-Gvir, também apresentou um pedido semelhante.

Na oposição, o deputado Oded Forer, presidente da bancada do Yisrael Beiteinu, apresentou um pedido para impugnr a candidatura do deputado Dr. Ofer Cassif (Hadash) às eleições para a 26ª Knesset. “O pedido se concentra, sobretudo, no apoio contínuo de Cassif à luta armada contra o Estado de Israel”, afirmou um comunicado do partido de direita de Avigdor Lieberman.

Segundo o Al-Ittihad, um porta-voz da Lista Conjunta declarou: “A família do crime chamada ‘Likud’ está promovendo mais uma iniciativa podre e racista de um partido que perdeu completamente a confiança da população e que trouxe para todos nós todos somente destruição e morte. Netanyahu sabe que está a caminho de perder as eleições e, por isso, não está poupando nenhum meio para impedir esse momento.” “Nos últimos anos, a população árabe do país tem sido submetida a uma campanha selvagem de incitação, deslegitimação, e tentativas incessantes de prejudicar seus representantes no Knesset. Eles não têm apenas medo de perder o poder; têm medo da nossa influência, da nossa visão compartilhada, da igualdade que oferecemos e, especialmente, da ideia de que é possível viver aqui de outra maneira –árabes e judeus juntos. Nenhuma campanha de incitação e nenhuma tentativa fascista de nos impugnar irá nos deter no caminho para derrubar o governo Netanyahu–Ben Gvir–Smotrich e, quando tentarem nos impugnar – nós iremos nos multiplicar e avançaremos”, enfatizaram.

Segundo o Zo Khadarek, o deputado Ofer Cassif respondeu na segunda-feira a um pedido para impugná-lo nas próximas eleições, apresentado por um membro do partido Yisrael Beiteinu, de Lieberman, que anteriormente liderou uma tentativa de removê-lo do Knesset em 2024, durante a oposição do deputado Cassif à guerra de extermínio em Gaza, afirmando: “Minha voz e a voz das massas árabes e a voz das forças democráticas judaicas são mais fortes do que a impugnação e o cancelamento.”

O pedido de impugnação do deputado Cassif ocorre um dia depois de o Likud apresentar um pedido para impugnar a Lista Conjunta, em um alinhamento claro entre o partido governista e o partido de Lieberman na perseguição política e em uma tentativa de silenciar vozes com princípio que se opõem à injustiça, à ocupação e defendem a igualdade e a paz.

O deputado Cassif afirmou: “A tentativa de impugnar minha candidatura não passa de uma demonstração patética das desprezíveis práticas políticas daqueles que afirmam pertencer ao ‘Bloco da Mudança’ e se opor ao ‘Kahanismo’ e ao fascismo, enquanto na prática se alinham às mesmas forças, competindo com elas pelo título de mais direitista e extremista.”

Ele acrescentou: “Como alguém como eu, que defende aberta e consistentemente uma postura humanitária que se opõe à violência e apoia a luta pacífica, pode ser rotulado como ‘apoiador do terrorismo’, enquanto aquele que apresentou o pedido de impugnação e seus aliados, que legitimam o terrorismo de estado e os crimes de guerra, aparecem como se fossem os opositores do terrorismo?”

O deputado Cassif concluiu dizendo: “Nenhuma perseguição política ou tentativa de me silenciar irá me deter. Continuarei apresentando uma alternativa real, a luta contra a ocupação, a guerra e a violência, e continuarei levantando uma voz clara e consistente clamando por paz, uma verdadeira igualdade e a proteção dos grupos marginalizados.”

Fontes: https://icp.org.tr/news/cp-israel-responds-efforts-remove-joint-list-elections

Efforts to remove Communist Party of Israel-backed Joint List from elections | International Communist Press
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