Qual a posição mais acertada do Sindipetro RJ e FNP diante da encruzilhada das eleições?
Nem seguidismo acrítico, nem oposicionismo irresponsável!
Célula dos Petroleiros do RJ - PCB
Dia 04 de outubro ocorrerá o primeiro turno das eleições presidenciais em uma das conjunturas mais desafiadoras para a classe trabalhadora. Tal conjuntura impõe um debate sobre a abdicação ou não do voto ideológico. Bem como a declaração explícita de voto pelos sindicatos ao Lula e o projeto petista. Naturalmente, esse debate chegou às bases petroleiras.
Observamos, desconfiados, duas posições equivocadas, que apesar de apontarem em sentidos contrários, levam ao mesmo caminho de enfraquecimento da luta sindical. De um lado, correntes ligadas ao campo lulista fazem uma pressão apelativa ao apoio explícito e supostamente inadiável ao Lula no primeiro turno, usando um questionável argumento de possibilidade de vitória em 4/10, quando nenhuma pesquisa aponta para isso e não há precedentes de tal façanha no Brasil desde 1998.
Por outro lado, há uma visão extremamente sectária que em alguns momentos se descola da realidade concreta e que ignora a ameaça real da direita, e consequentemente não se coloca numa posição de responsabilidade com suas bases sindicais.
Sobre a primeira posição, de atrelamento acrítico, ainda que a grandíssima maior parte das bases Petroleiras esteja empenhada nessa campanha, não é papel de sindicato se subordinar em tal grau a apenas uma expressão política na esfera institucional de disputa da ordem. E nem fomentar ilusões de que as eleições servem de um atalho mágico, quase como um condão, e que uma vitória pode substituir a luta do dia a dia e a elaboração de políticas, mediações e mobilizações específicas dos Petroleiros. Sindicatos existem como uma ferramenta da classe, necessariamente autônoma, e devem expressar respeitosamente a pluralidade das visões de Esquerda existentes na categoria. Como se sabe, apesar das limitações de uma pretensa democracia, que na realidade é tolhida, tutelada e deturpada pelo capital e por interesses das classes dominantes, as eleições são sim um processo privilegiado de debate político e de definição de destino nacional, e da vida das pessoas, em muitos aspectos. Por essa razão, devemos nos utilizar dessa trincheira exatamente para apresentar as propostas mais avançadas, plenamente realizáveis e justas, para disputar ideologicamente corações e mentes para um mundo diferente e uma Petrobrás a serviço e sob controle popular. Por isso, ao menos no primeiro turno, não podemos rebaixar bandeiras, esconder quem somos e nos render ao pragmatismo ilimitado que faz a Esquerda recuar a cada embate, naturalizando e aceitando políticos neoliberais, de direita, a exemplo de Eduardo Paes, Pedro Paulo, Alckmin etc., como se fossem aliados dos trabalhadores. O segundo turno sim é o momento de atuação tática mais inevitável, admitindo recuos para evitar-se o mal maior.
Com a defesa sem limites sobre a utilização do chamado voto útil, sob a ameaça real do bolsonarismo assumir o poder, acaba se justificando a abdicação da disputa política ideológica durante qualquer período eleitoral. Essa posição de adesão caracteriza, portanto, um "desarmamento" do movimento sindical diante de uma conjuntura de ataques, ao colocá-lo na condição de "reboquismo" diante de disputas institucionais, portanto, "enferrujando sua auto-propulsão". Não devemos aceitar, portanto, chantagens despolitizantes.
Mas é claro, sabemos que essas eleições e a atual conjuntura são especiais, pois como dissemos em nossa nota regional, "mais do que propostas de políticas públicas para os governos federal e estaduais, nestas eleições, estão em jogo as condições que balizarão as atividades políticas e as lutas sociais nos próximos anos.
Setores da direita e a extrema direita atuam no plano eleitoral para disputar o controle político dos poderes executivo e legislativo, enquanto representantes dos setores da burguesia que detém o poder no país. Essa ação, para além das forças conservadoras e reacionárias internas, se articula com forças semelhantes que operam em diversos países, com apoio declarado do governo norteamericano, que tenta impor seus interesses, e de parte de suas burguesias."
Além disso, é evidente, mas devemos reafirmar, que as eleições são viciadas e não atendem e nunca atenderão por si só aos anseios da classe trabalhadora. Pois só a luta e a organização da nossa classe mudam a vida. Para o debate sobre o voto útil, é essencial termos essa compreensão muito clara. Entretanto, também devemos levar em consideração que o resultado das eleições impacta diretamente no dia a dia da classe. Isto é, há diferença clara entre um possível próximo governo petista e um bolsonarista.
Por essas razões, é também um erro tremendo a posição de centrar fogo desmedido, a essa altura, na candidatura de Lula e em todo entorno que ela mobiliza. Essa postura autoproclamatória serve mais para marcar posição, buscar coesionar pela emoção e bravata e massagear egos na competição dos "mais grandiloquentes revolucionários". Entidades que reproduzam esse tipo de posição ficarão isoladas politicamente, marcadas e incapazes de construir pontes fora e dentro da categoria para lutas amplas posteriores. Felizmente, essa posição da corrente mais influente do Sindipetro RJ e FNP parece ter sido mediada para evitar desgastes na base ou atenuada por força de outros que atuam nessas entidades, uma vez que a posição assumida foi mais unitária, de "nenhum voto no bolsonarismo".
Nesse contexto, nós do PCB, através de sua Célula de Petroleiros, entendemos que esse “cálculo” eleitoral deve estar amparado em uma análise baseada na realidade concreta, e que portanto, a posição adotada não deve ser nem de refém das ameaças à direita, nem das posições inconsequentes típicas do esquerdismo, sob Lênin. No calor do momento, absorvemos com paciência revolucionária ataques por parte do campo petista, do qual algumas lideranças parecem nos tratar como se fôssemos inimigos. E discordamos seriamente do campo trotskista que ataca os petistas como se eles representassem os inimigos. Não perdemos jamais o foco no inimigo de fato, as classes dominantes, o capital e suas formas de representações políticas.
Isto posto, o PCB acompanha com responsabilidade as projeções eleitorais, e ajusta sua tática, conforme pode ser observado na nota da nossa direção no Rio de Janeiro, em que declara o segundo voto ao senado na candidata Benedita da Silva (https://www.instagram.com/p/Ddw2x7Cn59P/?stkn=cTQxY2M3MHZuNm5x).
Não devemos abrir mão da disputa ideológica durante o período eleitoral, tampouco ignorar as ameaças da direita à nossa soberania e nossa existência.
E por fim, deixamos dois exemplos de distinções gritantes de como tratar as diferenças das candidaturas e correntes da esquerda.
Uma forma deletéria e desagregadora, de viés sectário, dos trotskistas do PSTU: https://www.instagram.com/reel/DdHneRAgHIJ/?stkn=a2pub2NrdzF3ZDNq
E uma forma politizada, aprofundada, didática e madura, porém respeitosa, de apontar as diferenças, do PCB: https://www.instagram.com/p/Dd5D1H9kT2a/?img_index=4&stkn=MXRjNHdqZW0zcGZ0Mw==
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